"O nosso lugar é onde nos sentimos bem." Acredito que tenha uma ponta de verdade, pelo menos neste caso. tenho esperanças. é verdade que neste momento estou sentada em frente ao computador e o que me ocorre no pensamento são palavras tuas, aliás, não é de agora. talvez me magoe de novo, é provável. mas, agora, sinto-me bem. acho que o meu maior problema é apegar-me a ti vezes sem conta e conseguir dar o mesmo passo. não imaginas como sinto credível que um dia me segures a mão antes de tropeçar. há dias em que penso em terminar esta história, de uma vez por todas, mas acho que não iria ser possível. não por não ser forte o suficiente para isso, já estive bem perto. mas acredito que o que nos liga é muito mais forte. talvez porque a minha confiança em ti é desmedida. e talvez me arrependa. mas talvez não. gostava de permanecer um encanto aos teus olhos. e que simplesmente não me considerasses um ser humano comum. gostava que um dia me conseguisses retribuir todo o amor que eu senti.
tenho saudades tuas. tenho saudades nossas. tenho saudades da tua chamada ao fim do dia para nos encontrar-mos, cansados, fatigados, prontos para descansar-mos nos braços um do outro, sorrir-mos, descontrair-mos. saudades da despedida depois dessa hora liberta, do beijo rotineiro, na testa. saudades de me tornar cheia de vida enquanto ali permanecia olhando-te nos olhos e desabafando o meu dia. o local continua lá, eu passo por ali todos os dias, como se nada se passasse, como se ali nada tivesse acontecido, e tu, calcando o mesmo chão ao fim da tarde sentirás que não é local que te pertença, que nos pertença. hoje estava eu de um lado e tu do outro, quatro metros de distância, diria que nada nos separava, mas não seria verdade, o orgulho. lembras-te de me teres dito uma mensagem que um professor teu te transmitiu? "quem não põe o orgulho de lado, não será feliz." mas não perece que seja conselho que tu sigas. Falando dos pólos opostos em que nos encontrava-mos há umas horas atrás, não me refiro apenas aos locais onde permanecemos. refiro-me, também, aos dois mundos que existem em mim. um com um desejo enorme de correr para os teus braços, outro com uma vontade tremenda de partir, sair dali, do teu mundo, de ti. acho que acabaram por serem derrotados, tanto um como outro e vencido pelo nosso maior inimigo, o orgulho. e assim foi, o meu olhar perdido entre aqueles quatro passos, uma insegurança que nem sei bem especificar, uma obrigação em manter um sorriso nos lábios e parecer feliz, perfeita, como se não houvesse nada que me abalasse, e na verdade estavas lá tu, tão distante, e não podia haver, tão simples, que me abalasse mais.
(MEU) NÃO SEI O QUÊ,
Há momentos em que o que mais desejo é entrar na tua cabeça e perceber de uma vez por todas o que desejas realmente. Ou hás-de ter uma reação ou, no dia seguinte, fazer exatamente o contrário. És tão confuso e deixas-me incrivelmente semelhante. Queria pedir-te que fosses meu e que me deixasses ser tua. Mas que não deixasses que isso durasse um momento. Queria que fosse prolongado, que me chegasses a amar. Queria pedir-te que não te afastasses só porque achavas ser o melhor para mim. Queria que, mesmo que te rejeitasse, não desistisses de mim e que, se preciso, desses tudo pelo meu amor. Queria que, mesmo quando eu te virasse a cara continuasses a olhar para mim e para o meu jeito de me comportar sabendo que estás a olhar. Queria que, mesmo que não soubesses por onde ando, pensasses em mim e no meu paradeiro. Que quando caminhasses na minha direção acenasses e sorrisses como se fosse o melhor momento do teu dia. Que cada vez que ouvisses o meu nome a tua concentração vagueasse. Queria que tivesses uma vontade incontrolável de me abraçar. Queria pedir-te que, quando essa vontade se prolongasse, que me abraçasses. Que, antes de baixares os braços, depois desse abraço, lutasses por mim. Queria que, quando estivesses com outra desejasses estar ao meu lado. Queria que não deixasses que te percebesse por inteiro, talvez perdesses o encanto. Queria pedir-te para me dares tempo, para não me pressionares. Queria que percebesses quando era o momento de fazer o quê. Que acontecesse o que acontecesse, me fizesses acreditar que estavas ao pé de mim. Queria pedir-te que não tentasses ser perfeito. Queria que me saísses da cabeça.
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